

Paralela em detalhe: 3 pontos e 4 formas de receber
Paralela significa "paralelo" em espanhol e, no futsal, designa a tática de dupla em que se supera a linha defensiva com um passe correndo paralelo à linha lateral, como na imagem abaixo.

À primeira vista a paralela parece simples, mas é uma tática extremamente profunda.
Neste artigo, explico a fundo os pontos-chave para executar a paralela e todos os seus principais tipos.
- reconhecer o espaço e o pé dominante
- pensar a relação em dupla entre passador e recebedor
- reconhecer a resposta defensiva

Se você tentar uma paralela num lugar sem espaço, a cobertura virá facilmente, então é fundamental reconhecer de antemão qual espaço quer usar.
Se a ideia é concluir a jogada depois que a paralela entrar, convém fazer com que o pé dominante do recebedor corresponda ao lado que você quer atacar.
Na imagem acima, por exemplo, o camisa 1 vermelho consegue receber a paralela e já finalizar com o pé direito.

Em termos de relação em dupla, é preciso construir um cenário de perto (recebedor) - longe (passador).

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Continuar lendo →De forma mais concreta, há duas condições para a paralela acontecer:
- o corredor vertical do passador está aberto
- o recebedor se soltou do marcador adversário

Se esses dois fatores não coincidirem, a paralela não se completa. Além disso, também é preciso cuidar do timing entre recebedor e passador e da força e trajetória da bola (timing e qualidade).
Forçar um passe de paralela quando o corredor vertical está fechado é muito arriscado e pode gerar perda de bola, então, nesses casos, o melhor é conduzir para dentro e buscar outras linhas de passe.

Se a distância entre o recebedor (camisa 1 vermelho) e o defensor adversário (camisa 1 azul) for grande, atrair o adversário de propósito ajuda a atacar melhor as costas.
Mesmo em categorias de topo, é muito comum usar uma paralela em que o jogador expõe a bola até o limite diante do defensor e solta de trivela para a ala.
É muito importante distinguir entre uma defesa individual e uma defesa mais zonal, com múltiplas linhas, e perceber qual sistema o adversário está usando.

Se o adversário marca individualmente, basta você se livrar do próprio marcador para criar uma grande chance.

Num 3-1 como o da imagem acima, isso pode gerar um 2v1 no campo ofensivo e levar a uma finalização com relativa facilidade.

Contra uma defesa que constrói várias linhas, a paralela nem sempre gera uma grande chance só por ter entrado, mas pode colocar três defensores em dúvida.
- 2º defensor: entrega ou não a marcação?
- 3º defensor: entra ou não na cobertura da mini paralela?
- 4thDF: entra ou não na cobertura da paralela longa?

Se a paralela tiver alta qualidade, ainda assim é possível criar um 2v1 no campo ofensivo, como acontece contra marcação individual.
- o momento em que o companheiro consegue receber de frente e em velocidade
- como passar sem acertar as pernas do próprio marcador
Em vez de escolher cegamente a bola aérea, é preciso decidir entre passe alto ou rasteiro de acordo com a situação.

Se o recebedor ainda não terminou a ruptura, o melhor é colocar a bola no espaço com um passe alto.
(A bola alta tende a "parar" melhor no espaço.)
Se você der um passe rasteiro nessa situação, a bola pode correr demais e permitir a cobertura.

Se o recebedor já entrou no espaço por completo, o melhor é um passe rasteiro no pé para não matar a velocidade da jogada.
Quando a distância para o defensor é grande e o corredor vertical está claramente aberto, tanto a bola alta quanto o passe rasteiro podem entrar.
Quando a distância é curta, o rasteiro costuma ser bloqueado, então o mais comum é usar a bola alta.
O vídeo abaixo explica essa questão do passe com bastante cuidado.
A paralela pode ser dividida, em linhas gerais, entre paralelas longas e curtas a partir do comprimento do passe.
O que conta como "longo" ou "curto" varia de pessoa para pessoa, mas aqui a referência será o número de linhas defensivas superadas.

É a paralela que supera uma linha defensiva, como um passe da primeira para a segunda linha.

Contra defesas que cercam para roubar com o 1º defensor e o 2º defensor ao mesmo tempo, conduzir um pouco para dentro tende a abrir o espaço às costas.
Esse tipo de paralela curta, bem curta mesmo, usando recursos como a pisada, é chamado de mini paralela.
(A mini paralela é um subtipo da paralela curta.)

Chamamos de paralela longa a paralela que supera duas ou mais linhas defensivas.
Na imagem acima, o fixo (camisa 1 vermelho), que estava na primeira linha, contorna as costas do azul 2, fica livre por um instante entre linhas e explode até a terceira linha.
De forma ampla, eles podem ser divididos em quatro:
- direto
- mudança de direção
- mudança de ritmo
- desenhando um arco

É a paralela corrida em linha reta, muito boa para jogadores velozes.
Há o risco de o recebedor entrar no espaço antes de a bola sair, então o passador precisa tocar rapidamente.

O jogador se aproxima do portador, cancela o apoio horizontal (tabela, block, curtain) e rompe na paralela.
Se o fixo (camisa 1 vermelho) tenta a paralela e o passador resolve jogar uma tabela naquele instante, o risco de contra-ataque é alto, então essa ação não é simples.

Uma ação em que Nakai Kensuke é especialmente forte.
O jogador parece não querer receber e, de repente, acelera tudo de uma vez.

Você ameaça romper em diagonal e depois muda de direção para sair na paralela.
Como o duelo antes da mudança de direção praticamente decide a jogada, esse tipo de paralela é recomendável para jogadores sem tanta velocidade pura.
No futsal, esse movimento de quebrar a corrida é chamado de kebra.

